BOMbeiro, um estilo de vida

Posted on 04/05/2011 por

0


Fazer algo mais, salvar vidas e de ajudar o próximo, essa é a meta de Melchior Felipe dos Santos, cadete do Curso de Formação de Oficiais – Bombeiro, desde que decidiu ingressar nessa carreira. “Não é uma tarefa fácil, a responsabilidade é grande, mas é recompensadora”, diz Dos Santos.

Formação

O curso tem o período de três anos, nos quais o cadete permanece em um alojamento retornando apenas nos finais de semana, se não tiver punições. “O cabelo deve estar sempre bem cortado, a farda sempre alinhada, o coturno muito bem engraxado, senão recebemos uma advertência e após cinco ficamos confinados, sem o direito de ir pra casa nos finais de semana”, acrescenta.

A entrada na corporação pode ser pelo Colégio da Polícia Militar, quando o aluno adquire boas notas em sua formação acadêmica ou pelo concurso público da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Rotina

A rotina dos cadetes começa às seis horas da manhã com o “toque de alvorada”, sinalização de que todos devem estar de pé. Às seis e meia todos devem se dirigir para fora do alojamento, após terem arrumado as camas, encerado o chão e limpado os vidros. A partir das sete horas eles se dirigem às salas de aula e iniciam suas atividades que só terminam às seis  da tarde.

Em alguns finais de semana os cadetes participam dos estágios supervisionados obrigatórios, em que acompanham os bombeiros e oficiais em suas atividades. “Já fiz alguns estágios, desde uma favela que foi praticamente inteira incendiada por conta de um curto até um chamado em um hospício em que um paciente queria se jogar do telhado”, conta Dos Santos.

Emoção

Além dos estágios, os cadetes passam por treinamentos físicos coordenados pelos oficiais. Dos Santos se emociona ao contar um de seus maiores desafios enquanto cadete, “Estávamos em treinamento em Piraquara, até que um menino de sete anos interrompe a instrução e diz que seu irmão mais novo, de cinco anos, caiu no lago. Todos foram até o lago, entramos em forma e começamos as buscas. O batalhão de operações especiais de salvamentos aquáticos foi acionado e percorremos todo o lugar atrás da vítima. Após horas de busca, eu ainda estava na água, quando o mergulhador trouxe em baixo dos braços o menino. A população que estava ao redor estava eufórica, achando que o menino estava vivo, e o oficial teve que deixa-lo embaixo da água para não causar pânico às pessoas. E eu estava ali, dentro da água e conseguia ver o rosto dele quando a água batia. É a cena mais chocante que tenho em minha cabeça, nunca sairá da minha memória. Essa fatalidade fez com que eu tivesse vontade de continuar o curso e poder resgatar com vida, outras crianças”, desabafa o cadete.

Melchior prestou o concurso da UFPR em 2009, apenas seis entraram naquele ano. Com 25 anos e já formado em Educação Física, o cadete diz que está se realizando como pessoa, embora a rotina e toda sua vida tenham mudado. “Tive que me adaptar aos horários, me tornar mais disciplinado e aprender a dar mais valor à vida. Deixei tudo de lado. As pessoas acham que às vezes é puro discurso, mas eu sempre digo que escolhi essa profissão para tentar ser alguém melhor, para dar a oportunidade da segunda chance para as pessoas” finaliza.

Para se informar a respeito do trabalho dos bombeiros e da Polícia Militar do Paraná, acesse o site: http://www.policiamilitar.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=193

Jéssica Tokarski e Paula Silka

Anúncios
Posted in: Geral